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Bem-vindo(a) ao Meio-sanguesrpg espero que goste daqui e faça novos amigos,cuidado com os monstros e evite usar celulares,pode ser que eles te achem,por enquanto é só,espero ve-lo ou ve-la no nosso mundo.


Hades,Apolo,Dionisio,Afrodite,Éolo,Perséfone.

The Horse and the owl

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The Horse and the owl

Mensagem por Alessandra Seixas em Seg Ago 06, 2012 7:20 pm



Última edição por Alessandra Seixas em Seg Ago 06, 2012 7:30 pm, editado 1 vez(es)
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Re: The Horse and the owl

Mensagem por Alessandra Seixas em Seg Ago 06, 2012 7:21 pm

Cap. 1 – O Começo de Minha Vida Maluca (narração de Lilian)

Eu sempre soube que era diferente. Talvez por que sempre me metia em encrenca. Talvez por que via coisas que outras pessoas não viam. Mas esse não era o real problema. O problema era saber que no mundo em que vivia, existiam monstros mitológicos querendo me matar. Tudo bem, tudo bem... Acho que vocês estão achando que estou louca, mas penso que irão entender quando contar-lhes minha história:

Meu nome é Lilian Grings e tenho 14 anos. Moro a maior parte do meu tempo no Internato The Storm King School com a minha melhor amiga Julia Steers. Bom, na verdade, ela é minha única amiga e eu a dela. Temos muito em comum, não só de gostos, mas também de vida. Quer um exemplo? Nós duas sofremos de Dislexia, Déficit de Atenção e Hiperatividade e não conhecemos um dos pais. Eu, o meu pai, e ela, a mãe.

Bom, voltando à história. Hoje é o último dia de aula e eu estava dormindo no meu quarto, o qual divido com Julia, quando ela me acorda pulando em cima de mim:

–- Acorda, Li! Hoje é o último dia de aula!

Rolei para o lado fazendo com que ela saísse de cima de mim. Peguei meu travesseiro e o joguei na cara dela.

–- Não quero ir para a aula... Me deixa dormir!

–- Ah, você vai sim, Li! Nem que eu tenha que te levar pelos cabelos!

Julia me encarava com aqueles olhos cinzentos e profundos. A expressão séria de uma aluna esforçada para superar sua Dislexia. Ela é muito inteligente e nunca perde uma aula. Seus olhos cor de tempestade me deram medo. Achei melhor me levantar antes que ela me pegasse mesmo pelos cabelos.

–- Ok, você venceu! – Disse eu, irritada ao me levantar da cama e ir para o banho. Quando saio, me troco e me olho no espelho. Eu não me acho bonita. Tenho 1,70m de altura, com cabelos castanhos até os ombros, iguais aos da minha mãe. Olhos verdes e brilhantes, os quais minha mãe sempre dizia que herdei do meu pai.

“Meu Pai.” Pensei, soltando o ar pela boca. Nunca o conheci. Sempre que perguntava à minha mãe sobre ele, ela me falava que ele era um homem gentil e que ele me amava muito, mas que não podia ficar com a gente porque sua família não permitia. Nunca entendi isso direito... Por que ele não podia ficar com a gente? E por que a família dele não o permitia fazer isso? Quem eram eles? Por que ele sumiu? Eram tantas perguntas sem resposta que acabei ficando tonta.

–- Li, já está pronta? – Julia me chamou do quarto.

–- Ah, já sim. Estou indo. – Respondi e saí para a aula com ela, ainda com esses pensamentos rodando em minha cabeça, mas com um leve pressentimento de que logo teria as respostas para todas as minhas perguntas.[b][i]


Última edição por Alessandra Seixas em Seg Ago 06, 2012 7:24 pm, editado 1 vez(es)
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Re: The Horse and the owl

Mensagem por Alessandra Seixas em Seg Ago 06, 2012 7:22 pm

Cap. 2 – Aula (narração de Julia)

A aula anterior ao almoço de nosso último dia antes das férias era artes. Eu adorava esta aula. A professora era uma velha muito distraída e que vivia falando sobre a vida dela e de como eram as aulas que ela empregava em um centro educacional infantil, onde criancinhas desenhavam casinhas e sóis sorridentes todos os dias. Ela era legal, mas eu utilizava sua aula para revisar outras matérias. Estava lendo geografia quando uma bolinha de papel bate em minha cabeça. Eu a abro e leio as palavras: “Você está aí dentro?”. Reconheço a caligrafia e me viro para Lilian, ao meu lado.

–- O que foi, Li?

–- To te chamando faz um tempão! Você nunca para de estudar, não?

–- Desculpe, não ouvi. – digo.

–- Julia, hoje é nosso último dia! Vamos sair daqui no almoço e dar uma caminhada pela cidade.

Penso por um minuto.

–- Vão notar nossa falta – nego. – Além do mais, podemos ir passear amanhã e...

–- As únicas pessoas que sentiriam nossa falta somos nós mesmas, uma da outra. Julia, você nunca perdeu uma aula sequer... Vamos lá!

O que Lilian disse era verdade. Tanto a parte que ninguém sentiria nossa falta quanto eu nunca ter perdido nem uma única aula desde que comecei a estudar. E eu me esforço muito, mesmo com meu Déficit de atenção e outros problemas derrubando minhas notas. Quero orgulhar meu pai, a única família que me resta, fora Lilian, que considero uma irmã. Nunca conheci minha mãe e meu pai nunca fala dela. Quando pergunto algo, ele desvia do assunto. Assim, desisti aos poucos de perguntar por mais. Julia Steers Orly. A única informação que consegui sobre minha mãe foi meu próprio nome. Foi ela quem o escolheu. Fora isso, nada mais.

Pensar nisso traz um vazio dentro de mim. Afinal, quem será minha parte materna? Olho nos olhos verdes e brilhantes de Lilian pedindo por uma companhia à uma caminhada durante o horário letivo.

–- Tá legal – digo, sorrindo. Ela sorri também – acho que matar algumas aulas não me farão mal, nãe é?

–- Não! Ainda mais depois que provar o sorvete da banca aqui perto! Nós duas rimos.

O sinal soa meio-dia. A professora precisa interromper sua história sobre a confecção de colares de macarrão e sobre como eles pinicam para nos liberar de sua aula produtiva. Isso parece deixá-la desanimada.

Saímos da sala e deixamos a escola para traz.

Sair da escola no horário do almoço não é muito difícil. Muitos alunos fazem isso e vão almoçar em casa ou em algum outro lugar e depois retornam para as aulas seguintes. Nós duas, bem, não voltaremos tão cedo.

O sorvete do qual Lilian falou é realmente delicioso, com uma casa de chocolate e granulado envolvendo o creme. A banca de jornais onde o compramos vende um monte de variedades e bugigangas. Decido voltar ali mais vezes (mas não durante as aulas )

Nós caminhamos, visitamos lojas, nos sentamos nos bancos da pracinha ali perto e conversamos por um bom tempo. Mas me sentia estranha. Não estranha como “Estou matando aula!”. Mas sim, estranha como “Estou sendo seguida!”.

De fato, ao olhar para traz, um pequeno buldogue nos encarava com seus olhinhos brilhantes e baba caía de sua boca. Ele andava enquanto andávamos e parava quando parávamos, sempre atrás de nós.

–- Deve estar querendo sorvete. – Lilian disse, assim que lhe falei sobre o cachorro. Mas eu não estava convencida. Seus pequenos olhos brilhavam além do normal para um dia nublado como hoje.

Mas continuamos andando.
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Re: The Horse and the owl

Mensagem por Alessandra Seixas em Seg Ago 06, 2012 7:25 pm

Cap. 3 – O Buldogue se Transforma em um Monstro Horrendo (narração de Lilian)



Depois de soado o sinal para o almoço, Julia e eu saímos da escola. Estava tudo indo muito bem, até Julia me falar do Buldogue que não parava de nos seguir. Naquele momento, não dei a mínima para o cachorro.

–- Deve estar querendo sorvete. – Disse eu.

Julia ficou mais quieta depois disso. Continuamos a andar até que ela fala novamente:

–- Li... Ele continua nos seguindo.

Olho para traz revirando os olhos e observo o cão com cuidado. Ele nos olha de uma forma muito estranha para um simples Buldogue. Como se fôssemos sanduíches ambulantes e prontas para a refeição. Não gostei nada disso. Me virei e apertei o passo, puxando Julia comigo numa tentativa de despistar o cachorro. Acho que já devem imaginar que não deu certo.

Quando Julia e eu chegamos a uma esquina pouco iluminada, ambas olhamos para trás esperando o cachorro. Mas ele não estava lá. O que estava lá nos deixou atônitas. No lugar o Buldogue, encontrava-se um enorme monstro parecido com um leão, mas com uma cabeça de cabra e outra de dragão anexadas ao corpo, além de asas de morcego e um rabo-serpente.

Não tivemos tempo para fazer qualquer comentário sobre a besta, pois ele logo avançou em nossa direção, fazendo com que corrêssemos para não sermos atacadas por suas grandes patas e garras. O pior? Beco sem saída! Ficamos coladas contra uma parede. Não tínhamos como escapar. O monstro pareceu notar isso e por isso avançou lentamente, numa tentativa bem-sucedida de nos fazer agonizar de medo. Era como se não estivesse com pressa para acabar com nossas vidas.

Olho para Julia, com um pingo de esperança e pergunto:

–- Julia... O... O q... O que faremos?

Julia olha para mim com seus olhos cinzentos e entristecidos, pronta para dizer que morreremos, até que estes se desviam de mim e param em algo mais além.

–- O hidrante! – Ela diz.

–- Como é? Vamos morrer e você se preocupa com um hidrante? –- Não, Lilian – Ela responde abismada, respirando forte – A água! A pressão, a força da água! Preciso chegar até ele! Quem sabe ela não joga essa coisa longe!

Olho para o monstro, passando pela rua. As pessoas parecem nem o ver. Como...?

–- Ok, digo. Vamos fazer o seguinte: você liga aquela coisa enquanto eu levo o monstrengo na direção da água do Hidr... an... Ah, não importa!

Julia olha para mim com terror nos olhos.

–- E como é que você vai fazer isso? Estamos encurraladas aqui! Bom, isso era verdade. Olho à minha volta rapidamente e encontro um pedaço de cano velho de ferro e o pego. Olho para o monstro, a uns 7 metros de distância, procurando por um lugar que eu possa passar sem morrer. Vejo um caminho. Loucura, mas passar por cima das asas de morcego dele poderia ser minha melhor chance...?

Percebendo para onde olho, Julia diz apavorada:

–- Você não vai por cima dele, não é? Isso é loucura!

–- Bom, foi você quem disse que tinha que levá-lo para perto do hidrante... Que jeito melhor de distrair alguém, do que subir em cima desse alguém?

Julia abriu a boca para protestar, mas eu já havia saído. Eu era muito habilidosa em trilhas e escaladas, portanto, subir em um carro e pular nas costas da besta não foi difícil para mim. Ela gritou alto.
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Re: The Horse and the owl

Mensagem por Alessandra Seixas em Seg Ago 06, 2012 7:26 pm

Cap. 4 – As pessoas acham que estou louca! (narração de Julia)

Ver Lilian saltando para cima do monstro foi, ao mesmo tempo, uma das cenas mais legais e apavorantes que já presenciei. Claro, eu nunca teria metade da coragem que ela teve naquele momento. Mas se eu ficasse parada, talvez toda essa coragem se passasse em vão.

Dei um tapa em minha própria cabeça e forcei meu corpo a correr. O monstro nem prestou atenção em mim, já que tentava de maneira frustrada pegar Lilian sobre suas costas. Estava no meio do caminho quando percebi algo: as cabeças da besta não a alcançavam mas...

–- Lilian! A cobra! – gritei em desespero.

Lilian pareceu confusa, mas então sua expressão clareou e ela se virou para a traseira do animal. Sua cauda de serpente estava com as presas abertas, já pingando o veneno ácido. Lilian só teve tempo de atordoar a serpente com seu pedaço de cano e saltar para o chão, correndo imediatamente. A besta se virou e olhou para a garota. Começou a correr também

Precisava ajudá-la, mas não poderia fugir do plano. Cheguei ao hidrante e me deparei com um problema. Como iria acioná-lo?! Como pude ser tão estúpida a ponto de não pensar neste ponto? Não tenho essa força... Agora sim, estamos mortas.

–- Julia! – Gritou Lilian, se escondendo atrás de um carro, que a besta parecia estar prestes a devorar. Pessoas ali perto passavam e olhavam para ela, com um ar confuso. Passavam pelo monstro calmamente e seguiam seu caminho. Não entendi isso. Mas também não tinha tempo para isso. Procurei por alguma barra ou qualquer coisa que pudesse utilizar para bater no hidrante, até que ele abrisse sua boca lateral.

A única coisa que encontrei foi um pedaço de madeira que segurava um cartaz na loja atrás de mim. O peguei, jogando o cartaz no chão. E comecei a bater na boca lateral do hidrante. Nada acontecia.

–- Julia! – o grito estava mais forte, e Lilian corria em minha direção. Uma plateia começava a se formar nas beiradas do quarteirão.

Julia se juntou a mim e se virou, para observar o monstro saindo de cima do carro no qual se escondia segundos atrás. Ele estava vindo, a menos de uma rua de distância.

Os acontecimentos seguintes se passaram em tal velocidade que mal consigo descrevê-los. Lilian gritava desesperada, que iríamos morrer. Nunca senti tanto medo em minha vida! Lilian, xingou o hidrante por nosso plano furado e o chutou. Neste instante, ele explodiu. Água voou por todos os lados, mas especialmente na direção da besta. A pressão, a força da mesma retardaram a velocidade da corrida do monstro, o arrastando para trás, para o meio da rua. Pessoas gritavam. E foi neste momento em que um ônibus bateu de frente com a criatura, freando assim que o motorista viu a água.

Vimos os monstro sofrer com a pancada do veículo, caindo rolando no chão, atordoado pela água forte em sua cabeça. Ele começou a sangrar. Um sangue dourado, um pó, que se espalhava pela água e pela rua. Logo, não havia mais monstro. As pessoas ao redor olhavam horrorizadas e gritavam por ajuda à um cachorro atropelado... Cachorro?!

–- O que... O que eles estão vendo? Aquilo não era só um cachorro, era? – Lilian me perguntou, sua voz trêmula.

As pessoas procuravam por um cão, que diziam estar embaixo do ônibus. Eles não viram o animal desaparecendo em dourado? Muitos nos olhavam com um olhar acusador e cruel.

–- Aquilo... – comecei a falar.

–- Aquilo era uma quimera – Uma garota disse, chegando perto de nós. Seus cabelos ruivos caindo sobre os ombros pequenos – Vocês tiveram sorte de ser uma quimera pequena. Era fraca, e morreu rápido.

Olhamos atônitas para ela. Ela puxou o gorro de sua blusa, fechando o zíper.

–- É melhor não conversarmos aqui. E antes que tornem a perguntar, os humanos normais não enxergaram aquele monstro.

–- humanos ...? – Começou Lilian.

–- Aqui não! – repreendeu a garota. – Vamos sair daqui!

–- Não vamos com você. – disse eu. – Não te conhecemos... Por que confiaríamos em você?

Ela nos olhou. Seus olhos verdes, brilhando contra a luz do anoitecer.

–- Certo. – Ela finalmente diz – Meu nome é Rachel Elizabeth Dare. E agora que me conhecem, podem confiar em mim para sairmos daqui?

Olhei para Lilian e ela para mim. Olhares confusos e assustados.Deveríamos voltar para a escola o mais rápido possível, certo? Mas... Tinha a impressão de que esta garota nos traria explicações, mais perguntas e algumas respostas.

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Re: The Horse and the owl

Mensagem por Alessandra Seixas em Seg Ago 06, 2012 7:27 pm

Cap. 5 – Descoberta de um Mundo Anormal (narração de Lilian)

Depois de quase sermos mortas por aquele monstro mais de uma vez, as pessoas à nossa volta têm a coragem a dizer que “aquilo” era um simples cachorrinho. Um Cachorro! É sério! Ou todos ali à volta estavam cegos ou havia alguma substância alucinógena em nosso sorvete. E, para completar nossa loucura, uma garota que nunca vimos na frente chega e nos diz coisas malucas, como “aquilo era uma Quimera” e que os “Mundanos normais não o enxergam”... Dá para acreditar?

E depois, ainda pede para sairmos dali para conversarmos com mais calma, como se nos conhecêssemos há anos. Julia deve ter tido o mesmo pensamento que eu, já que disse “Não vamos com você. Não te conhecemos... Por que confiaríamos em você?” Só me lembro que, depois de ela se apresentar a nós como Rachel, Julia olhou para mim e eu devolvi o olhar a ela. Ambas sabíamos que deveríamos voltar para a escola o mais breve possível, já que já escurecia, mas algo dentro de mim (não sei o que Razz), me disse que poderíamos confiar nela. Talvez seu jeito de falar, suas roupas sujas de tinta aqui e ali... Não sei bem, mas quem sabe ela não nos explicaria o ocorrido? Decidimos ouvi-la primeiro.

–- Ok – digo – Vamos te acompanhar... Mas você terá que nos explicar tudo sobre o monstro e... sobre esses humanos não poderem enxergá-lo.

–- Quimera – Rachel respondeu – e sim, vou lhes explicar tudo o que sei.

Julia e eu seguimos Rachel até chegarmos à pracinha onde havíamos comprado o sorvete. Rachel se sentou no canto de um dos bancos ali e convidou Julia e eu para nos sentarmos no espaço restante. Julia se sentou, mas continuei em pé. Ainda não conseguia ficar parada depois de tanta adrenalina.

A garota ruiva nos observou, como se estivesse calculando algo super complicado, prestando atenção nos mínimos detalhes de nosso modo de agir na hora. Eu já estava prestes a perder minha paciência, quando Julia falou:

–- Então... Você disse que iria nos explicar o que aconteceu. Disse que aquela coisa era uma Quimera, mas... Isso não existe... existe? E sobre as pessoas “normais” que não podiam vê-la? O que quer dizer com isso? E como Lilian e eu podíamos ver a...

–- Oou, calma aí, garota! Perguntas demais rápido demais.

Fiquei cansada de enrolação.

–- Então comece a explicar! – disse eu.

Rachel respirou fundo e finalmente começou a falar:

–- O que vocês sabem de Mitologia Grega?

Trocamos olhares, confusas, mas respondemos

–- Pouca coisa – disse.

–- Só o que aprendemos na escola – Julia completou.

Rachel concordou com a cabeça e disse:

–- Tudo bem... Sabem os Deuses e os monstros da Mitologia Grega?

Concordamos, imaginando onde ela queria chegar. Ela continuou:

–- Isso pode ser um choque para vocês, mas... Enfim, eles são reais e...

–- O QUE? – Julia e eu gritamos em uníssono.

Rachel não pareceu se importar muito com nossa reação. Esperou pacientemente a gente terminar de gritar para falar. Como se isso fosse algo super normal.

–- Ei! Vão ficar aí gritando ou vão querer que eu termine de explicar?

Paramos de gritar e passamos a ouvir a verdade que mudaria nossas vidas.

–- A propósito – Rachel perguntou – Alguma vez já acamparam?
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Re: The Horse and the owl

Mensagem por Alessandra Seixas em Seg Ago 06, 2012 7:28 pm

Cap. 06 – Viagem de Férias (narração de Julia)

Conseguir absorver tudo o que foi dito, entendendo cada mísera parte da história foi um desafio. Já era noite quando finalmente saímos da pracinha, acompanhadas por Rachel e voltamos para a escola, onde encontramos com uma mãe desesperada. Esta era a mãe de Lilian, Laura Grings ., com quem eu sempre pegava carona, pois meu pai ainda estava no trabalho na hora da saída.

Ao chegarmos, ela primeiramente gritou conosco, depois começou a falar rápido demais sobre os perigos de andarmos por aí sozinhas e, finalmente, depois de inspirar profundamente, ela nos abraça. Prometemos nunca mais sumirmos assim. Nos despedimos da diretora da escola, com quem a senhora Laura conversava antes de chegarmos e nos dirigimos para o carro.

–- Ah, mãe... – começou Lilian.

–- O que? – ela perguntou.

–- Podemos dar carona para nossa amiga Rachel?

Laura olhou para Rachel, e sorriu docemente.

–- Mas é claro – ela disse – Vamos, entrem!

Nós três nos acomodamos no banco traseiro do carro. Na verdade, Rachel não precisaria de carona. Foi só um plano para ficarmos todas a sós com a senhora Laura e conversarmos em um local mais seguro. Rachel nos disse que, como prova de tudo o que ela nos disse, sobre o tal do acampamento, monstros e mitologia serem reais, poderíamos utilizar nossos pais conhecidos: a mãe de Lilian e meu pai.

–- Senhora Laura – começou Rachel – A senhora sabe que, com essa idade, os monstros já começam a perseguir semideuses com mais frequência, não sabe?

Olhamos para ela, atônitas. Ok, nós sabíamos que uma hora ou outra, iríamos tocar no assunto e esclarecer todas as dúvidas. Mas assim foi mais fácil... Ela foi direto ao ponto. Laura continuou dirigindo.

–- Ah, mãe, não liga, não! – Lilian tentou disfarçar.

–- É – completei – Isso é só uma brincadeira nossa...

–- Não – ela nos cortou. Paramos de falar, confusas. – É verdade...

Ficamos boquiabertas. Então... é tudo verdade mesmo? Ela estacionou o carro e se voltou para nós, suas pupilas pequenas, mesmo no escuro.

–- O que aconteceu hoje? – ela pronunciou as palavras pausadamente.

Lilian tentou falar, mas gaguejava e não conseguimos entender nada. Então falei por ela.

–- Rachel disse que foi uma Quimera... Foi... Horrível...

–- Mas, felizmente, o instinto semideus de ambas funcionou muito bem e elas acabaram por matá-la sozinhas.

–- E Julia bolou um plano também...

–- Ei! – interrompi -- Não chame aquilo de plano! Quase morremos por um descuido meu, por não ter pensado em como ativar a porcaria do hidrante! -- Fiquei com raiva de mim mesma e fechei os olhos, as lágrimas aparecendo – Eu fiquei nervosa. Não trabalho bem sob pressão... Eu... Me desculpem.

–- Julia, calma. – Lilian começou – Não foi culpa sua. E olhe aqui -- Olhei para ela, aqueles olhos verdes brilhando no escuro – Nós duas acabamos com aquela coisa juntas! Você e eu!

Ela sorriu. Não sei como conseguiu, mas sorriu em um momento de nervosismo como aquele. Sorri também.

–- É... Acho que sim. – Concordei.

–- Mas e agora, Rachel? -- Laura falou virando-se para ela– Elas precisam ir para o acampamento?

–- Você também sabe sobre isso? – Lilian perguntou, surpresa.

–- Disso e muito mais. – ela respondeu.

–- E creio eu que sim. – Rachel completou – Ficar sem treinamentos em casos como esse fazem falta, como podem ter percebido.

–- É verdade...

–- Legal! – disse Lilian, animando-se – Acho que ganhamos uma viagem de férias!

–- Pois é – concordei – ainda mais depois de um dia de aula anormal como esse.


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Re: The Horse and the owl

Mensagem por Alessandra Seixas em Seg Ago 06, 2012 7:29 pm

Cap. 7 – Bem-Vindas ao Acampamento Meio-Sangue! (narração de Lilian)

Saber que todas as coisas esquisitas que aconteceram comigo e com Julia durante toda nossa vida têm uma explicação que não seja “Estamos Loucas!”, me deixou extremamente aliviada. Mesmo que essa explicação seja um grande choque para ambas.

Enquanto seguíamos pela Via principal de Nova Iorque, Rachel e minha mãe ficaram discutindo se deveríamos ir à casa de Julia para falar com o pai dela antes de nossa parida ou se deveríamos seguir direto até o tal acampamento.

Eu já estava perdendo a paciência com essa indecisão quando Julia finalmente interrompeu as duas, oferecendo-lhes uma solução:

–- Senhora Laura e Rachel, que tal nos levar direto para o acampamento e de lá, eu telefono para meu pai e explico a situação com mais calma? Além do mais, ele ainda deve estar no trabalho e só voltará bem tarde.

As duas se entreolharam. Depois de um instante, Laura respondeu:

–- É. Acho que é uma boa ideia. Se quiser, posso já adiantar a conversa com ele quando ele chegar do trabalho.

-- Tudo bem. – Julia diz.

-- Ótimo! – Rachel pronuncia – Então vamos direto ao Acampamento!

Depois disso, a viagem foi quieta e tranquila. Bom, foi só a viagem mesmo, pois eu estava uma pilha de nervos! Olhei para Julia ao meu lado e percebi que ela estava igual a mim.

Um tempo depois, chegamos a Montauk, no final de Long Island, onde Rachel diz localizar-se o Acampamento. Laura para o carro ao lado de uma placa de propaganda de um restaurante, o qual, segundo a placa, se localizava a 10Km dali. Saímos do carro, a estrada deserta. Olhamos à nossa volta, à procura de um acampamento.

-- Não há acampamento nenhum aqui! – Julia exclama. Rachel, ao nosso lado, calmamente explicou:

-- Tem sim. É só subir esta colina – disse ela, apontando o morro – Aquele grande Pinheiro demarca o Limite do Acampamento.

Julia e eu olhamos para o Pinheiro, negro contra a luz da Lua, desconfiadas, porém, não dissemos nada. Virei para minha mãe, pensando na despedida breve e o que vi cortou meu coração. Ela olhava para mim, chorando. Não aguentei e saí correndo par abraçá-la. Lágrimas começaram a escorrer por meu rosto também. Ficamos um bom tempo abraçadas, sentindo o carinho uma da outra. Quando finalmente acalmamos nossos sentimentos, ela se afasta e diz:

–- Shhh... Vocês tem que ir, antes que fique muito tarde – o sorriso dela enquanto me olhava era lindo. Ela passou a mão em meus cabelos. Com um nó na garganta, falei:

–- Não quero te deixar.

–- Mas é preciso! Pelo menos por enquanto... – ela disse – E você não vai estar sozinha, minha filha. Você tem a Julia ao seu lado e... – ela suspirou antes de continuar – E tem seu pai também.

–- Mas como vou saber quem ele é? – questionei – Você nunca me falou quem ele é!

–- Não falei para sua própria segurança. E vai ser ele quem vai ter que te contar quem ele é.

–- Mas... – estava curiosa e nervosa demais naquela hora – Mas, não pode me dar nem uma pista?

Ela sorriu. Seus olhos fixos nos meus.

-- Tudo será explicado no Acampamento – ela continuou – Agora vá e lembre-se que eu sempre estarei aqui para você! É só me ligar.

Depois de dito isso, ela beijou minha testa e me mandou seguir com Julia e Rachel, que me esperavam perto da colina. Assim que me juntei a elas, Julia me abraçou.

-- Vamos? – Rachel perguntou.

Olhei para minha mãe. Ela sorria ao longe, enquanto subíamos a colina e acenamos uma última despedida. Depois ela entrou no carro e voltou para casa.

Conforme subíamos, o frio em minha barriga aumentava. Imaginei que Julia deveria sentir o mesmo. Chegamos ao topo e olhamos para baixo, para através do grande Pinheiro.

-- Sejam bem vindas ao Acampamento Meio-Sangue! – Rachel sorriu.
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Re: The Horse and the owl

Mensagem por Alessandra Seixas em Qua Ago 08, 2012 9:37 pm

Cap. 08 – Boa Noite ao Chalé 11! (narração de Julia)



Ao olháramos pela primeira vez, nada pareceu nos chamar a atenção. Estava muito escuro e tudo o que conseguíamos ver eram algumas luzes aqui e ali e uma fogueira ao longe. Uma praia mais ao fundo refletia o brilho da Lua. Sem palavras, começamos a descer a colina para o acampamento.

Durante essa caminhada, percebi que Rachel falava conosco, provavelmente nos dando instruções iniciais da vida ali. Mas eu, sinceramente, nem as ouvi. Estava nervosa demais com tudo o que estava acontecendo e olhava ao redor freneticamente à procura de algo, ou alguém. De relance, olhei para Lilian e percebi o quão atônita ela também estava. Achei que minha cara deveria estar igual à dela naquele momento.

–- E por fim – falava Rachel – Também temos o costume de nos sentar ao redor da fogueira todas as noites e cantar e contar histórias... Como campistas sempre fazem mesmo. Entenderam?

Ela nos olhou. Mesmo no escuro, pude ver o verde de seus olhos parando em nós.

–- Ah... – comecei – Ah, sim. Entendi. –- É... – Julia concordou falsamente junto comigo.

Rachel nos olhou com uma expressão de divertimento.

–- Ah, tudo bem. Essas instruções serão repetidas à vocês conforme o tempo passar.

Isso nos deixou muito aliviadas.

–- Agora vamos até a Casa-Grande, falar com Quíron. – ela continuou.

Nós a seguimos até uma grande casa de madeira, muito alta e com uma grande varanda. Estava escuro, e o máximo que pude notar na hora foi isso. Nós entramos e Rachel gritou.

–- Quíron! Quíron, cadê você?

–- Já estou indo! – uma voz masculina, meio grossa respondeu do outro cômodo. Não demorou muito para um homem em uma cadeira de rodas aparecer e nos encarar com os olhos fundos no rosto.

–- Quíron, essas são Julia e Lilian – Rachel nos apresentou ao homem.– Julia, Lilian, este é Quíron, o diretor do Acampamento.

–- Olá – dissemos, a voz quase sumindo.

Ele sorriu.

–- Já faz um tempo desde que o último campista chegou. E agora são duas de uma vez. – o homem parecia gentil – Sejam bem-vindas ao Acampamento Meio-Sangue!

Sorrimos, mas nada dissemos. O homem continuou.

–- Então, já sabem de quem são filhas? – ele perguntou, um ar mais sério tomando conta de sua expressão. Sacudimos a cabeça em negativa – Entendo...

–- Elas foram perseguidas por uma Quimera hoje mesmo. – Rachel narrou os fatos – Foi incrível o jeito que acabaram com ela, mesmo nem sabendo do que se tratava na hora.

Quíron nos olhou, com olhos curiosos.

–- Vou querer saber mais dessa história depois – ele sorriu – Então, já receberam as primeiras instruções?

Lilian e eu nos entreolhamos.

–- Ah... – comecei a dizer, mas Rachel interveio:

–- Eu tentei passá-las a elas a caminho daqui. Mas acho que, como os outros, acabaram nem prestando atenção. – ela riu.

–- Ah, é verdade. Não podemos culpá-las. Ainda mais depois do que devem ter passado hoje. – Quíron disse – Por favor, sentem-se! – ele nos apontou o sofá. Nos sentamos, inquietas.

–- Bom – ele recomeçou – Já que estão aqui, já sabem que são semi-deusas, certo? Porém, não sabem quem são seus pais divinos. Este acampamento tem a função de treinar meio-sangues para sua própria sobrevivência em casos de um encontro com algum monstro inesperado. Além disso, é o único lugar seguro para pessoas como vocês e o lugar onde, provavelmente, serão reclamadas por seus pais divinos. Se tiverem sorte, isso não vai demorar.

-- O acampamento possui chalés para quase todos os Deuses – Rachel continua – e cada campista dorme nos chalés de seus respectivos pais. Porém, como vocês ainda não têm essa informação, dormirão, por enquanto, no chalé do Deus dos Viajantes...

–- Hermes? – Pergunto. -- Exato! – responde Quíron – E já ficarão lá por hoje. Creio que estejam cansadas, não?

Assentimos, sonolentas. Quíron sorri um sorriso paterno:

–- Rachel – disse ele – Pode acompanhá-las até o Chalé 11? E por favor, apresente-as aos outros e certifique-se de que ficarão confortáveis por hoje. Amanhã, iremos lhes apresentar o acampamento, às atividades e a outras instruções, tudo bem?

–- Sim, obrigada. – Concordamos.

–- Ótimo – ele afirma – então, desejo a vocês duas, uma boa primeira noite como campistas!

..........

Não conseguíamos enxergar muita coisa até alcançarmos o chamado Chalé 11. Rachel nos apresentou à algumas novas instruções e nos alertou a ter certo cuidado com os filhos de Hermes e nosso pertences (além do Deus dos Viajantes, Hermes era o Deus dos ladrões também), e isso não me agradou.

Chegamos ao Chalé e observamos enquanto Rachel entrava e gritava para que todos ali se calassem. Olhei de relance e vi crianças e adolescentes pulando de um lado para o outro, jogando coisas, fazendo bagunça. Lilian e eu nos entreolhamos. Quando finalmente se vê um pouco de ordem, ouvimos Rachel falando:

–- Esta noite, duas novas campistas chegaram aqui e estas ainda não foram reclamadas. Portanto, terão que ficar aqui por enquanto. Resumindo: Não as façam fugir correndo! Sejam, pelo menos por agora, gentis, ok? – ouve-se um som de concordância lá dentro – Meninas, entrem aqui! – ela nos chama. Nós entramos, encolhidas de vergonha. – Estas são Lilian e Julia. Meninas, estes são alguns dos campistas com quem terão de conviver. As apresentações podem ser feitas formalmente amanhã. Travis, Connor, providenciem os Kits inicias para que elas possam sobreviver aqui com vocês.

–- Ok! – ouvi um grito uníssono e animado dos gêmeos à frente do grupo.

–- E não façam besteiras, ok? – Rachel reforça.

–- Ok. – agora, o grito uníssono parecia um tanto desapontado.

–- Meninas, estarei na casa-grande. Qualquer coisa que precisarem, podem falar com um dos gêmeos aqui, ou podem ir direto me procurar lá ou a Quíron, tudo bem?

–- Sim – concordamos.

–- Você é filha de qual Deus? – pergunto, baixinho.

–- Na verdade, de nenhum. – Ela responde – Ah, amanhã lhes explicarão tudo. – Ela sorri e retribuímos o sorriso. – Boa noite! – ela diz e nos abraça. Depois se vira e vai embora.

Nos viramos e encaramos o pessoal do Chalé 11 nos encarando. Ficamos estáticas. De repente, um dos gêmeos quebra o silêncio, nos chamando para o fundo do Chalé. Fomos até lá, onde haviam sido preparadas dois colchões no chão mesmo. Um travesseiro e cobertas, além de alguns itens de utensílios pessoais.

–- Por enquanto, será isso mesmo – um deles diz.

–- É – o outro completa – Como podem perceber, falta espaço neste Chalé.

Era verdade. Haviam muitas crianças ali. Mas não ligamos. Apenas agradecemos, respondemos à algumas perguntas dos moradores ali e depois, simplesmente fomos dormir, mesmo com toda a bagunça à nossa volta.

Devíamos estar muito cansadas, pois assim que percebi que Lilian havia dormido, adormeci também.

Só fomos acordar pela manhã, com uma concha soando.
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Re: The Horse and the owl

Mensagem por Alessandra Seixas em Sab Ago 11, 2012 11:25 pm

Cap.09 - Conhecendo o Sr.D (narração de Lilian)

Depois do dia agitado que Julia e eu tivemos, foi muito bom deitar numa cama e entrar no mundo do sonhos. Bom, no meu caso, até o sono estava muito cansado para vir, pois quando deitei no colchão no chalé 11, logo apaguei. Só fui acordar no outro dia, com o barulho de uma concha soando.

Percebi que todos já estavam se levantando e indo se arrumar para o café da manha. Mas, como sou muito preguiçosa, resolvi ficar dormindo. Já estava me ajeitando na cama novamente quando a minha “linda e maravilhosa” amiga Julia interrompeu meu planos:

–- Não, não, não Lilian – Ela começou -- pode ir levantando já! Mal chagamos e já está querendo mostrar para todo mundo o quanto é preguiçosa?

Eu, um tanto irritada falei:

–- Me deixa, Ju!

–- Não deixo, não! Sinceramente Lilian, você deve ser filha do Deus da preguiça, pois nem levantar da cama você levanta !

Eu percebendo que Julia não me deixaria dormir novamente, falei:

–- Ok, ok... Já estou levantando... e existe o Deus da preguiça?

–- Existe sim! O nome dele é Hypnos. O deus do sono e da preguiça. Eu, já de pé, olhei para minha amiga seria e disse, com certa certeza:–- Esse deve ser meu pai. Julia olhou para mim e caiu na risada. -- Vai Julia! Pode rir! Quero só ver quem é sua mãe. -- Desculpa Li! Mas só estava brincando com você quando disse que seu pai era Hypnos. -- Tudo bem espertinha! Vamos tomar café e depois a gente vê como vamos saber quem são nossos pais, ok? -- Ok. Nessa hora, Travis e Connor Stoll reuniram o pessoal do chalé 11 e, juntos, fomos todos marchando para o café.
------------

Depois do café da manhã com o chalé 11, Trevis nos avisou que teríamos que ir para Casa Grande, onde Quiron nos estaria esperando. Julia e eu agradecemos e seguimos para o local, em silêncio, só admirando o acampamento e imaginando o que aconteceria no nosso novo lar . Quando chegamos na frente da casa, encontramos Quíron sentado à uma mesa jogando cartas com um Homem gordo, que usava uma camisa de estampa de tigre com uma bermuda branca. Ambos olhavam atentamente para as cartas. Assim que os dois Homem perceberam nossa chegada, Quíron depositou suas cartas na mesa e disse:
–- Lilian! Julia! Que bom que chegaram. Espero que tenham passado a noite bem!

–- Passamos sim, Quíron - disse sorrindo.

Julia não falou nada. Ela estava observando o homem gordinho com muita atenção, como se ele fosse um livro raro, quase visto por ninguém. Quíron percebendo isso, logo nos apresentou:

–- Ah, garotas, esse é o Sr. D, o diretor do acampamento. -- disse apontando para o homem gordinho – Sr. D, essas são Lilian e Julia, as novas campistas das quais lhe falei.

Sem erguer os olhos das cartas, Sr. D disse:

–- Muito prazer, Lian e Juliana. Sejam bem-vindas e blá, blá, blá...

–- É Lilian e Julia senhor... Não Lian e Juliana. – Disse eu, já não gostando nem um pouco desse senhor “D”.seja lá o que significa o D. Ele fez um gesto evasivo com a mão, como se espantasse um mosquito incômodo.

–- Tanto faz!

Eu ia responder poucas e boas para ele, quando Julia falou antes de mim:

–- Você é o Deus Dioniso, não é?

Olhei para Julia incrédula e soltei:

–- Até parece que esse daí é o deus Dioniso! Combinaria mais ser o deus da gordura!

O Sr.D ergueu a cabeça, lançando-me um olhar com seus grandes olhos azuis. Parecia que ele era capaz de ver as loucuras da mente humana. Isso me fez estremecer.

–- Não duvide de mim criança. Posso não parecer um Deus, mas posso muito bem te transformar em uma ótima uveira.

Desviei meu olhos dos dele, temendo ver algo que da qual fosse me arrepender. Quíron, percebendo isso, logo mudou de assunto.

–- Bom, por enquanto que não foram reclamadas, permanecerão no cronograma do pessoal do Chalé 11. Quando forem reclamadas, o que provavelmente acontecerá essa noite, durante o jantar, irão acompanhar seus respectivos chalés nas atividades, tendo sempre 3 tempo livres uma na parte da manhã, uma na tarde e uma antes do jantar. Alguma pergunta?

–- Sim – disse eu -- o que você quer dizer com “reclamada”?

–- Reclamada quer dizer ser reconhecida por seus pais divinos.

–- Ah, tá.

–- Eu pedi para 2 campistas veteranos para que mostrassem o acampamento para vocês duas e explicar as últimas regras e atividades, ok? Ah, lá estão eles.

Julia e eu nos viramos e olhamos na direção dos dois campistas. Eram uma menina e um menino. A menina, mais a frente, tinha aproximadamente 18 anos com cabelos enrolados e loiros, o corpo bem definido. Ela parecia uma princesa se não fossem os olhos cinzentos, iguais aos de Julia. Fiquei imaginando: será que poderia ser uma meia-irmã de Julia?

Já o menino era completamente diferente da menina. Ele parecia ter por volta dos 16 anos, com cabelos negros, a pele bem branca e olhos tão negros quanto o local mais distante da luz. Olhar naqueles olhos por muito tempo fazia você se perder. O corpo era bem definido e ele parecia ser bem forte. Uma palavra que o definisse? Ele era um gato!

Escutei a menina falando com Quíron e Julia, mas eu estava muito ocupada hipnotizada pelo menino que nem percebi Julia tentando falar comigo.

–- Lilian! Acorda garota! -- disse rindo e estalando os dedos bem na minha cara.

Só depois que escutei algumas risadinhas, que eu voltei do transe. Fiquei super vermelha por ter sido pega olhando para o menino, com cara de boba apaixonada.

–- O que, Julia? Eu estou acordada. – retruquei.

–- Pois não parecia – ela disse ainda rindo.

–- ok, Julia. Pare de rir da desgraça dos outros e fala logo o que você queria.

–- Ok, ok – disse ela, já calma depois do ataque de risada – Annabeth e Nico irão mostrar o acampamento pra gente!

–- Ok – assenti.

A tal Annabeth falou:

–- Ótimo! Então... Podemos ir?

–- Ooook – Droga, precisava ficar nervosa agora?

Julia olhou para mim, com um sorriso safado no rosto. Revirei os olhos e os ergui para o céu, pensando: “esse vai ser um longooo dia”.
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Re: The Horse and the owl

Mensagem por Alessandra Seixas em Qua Ago 15, 2012 10:09 pm

Cap. 10 – Conhecendo o Acampamento (narração de Julia)

O acampamento todo era realmente incrível e lindo. Quando chegamos, estava de noite, então não conseguimos ver nada. Mas agora, acompanhadas de Annabeth e de Nico, estamos vasculhando cada pedacinho do lugar. Vimos o campo de morangos (eles estavam deliciosos Very Happy) e também os estábulos dos pégasos, além de uma parede de escaladas assustadora à primeira vista, uma praiazinha linda, o pavilhão do refeitório. Admiramos também cada um dos chalés e conhecemos histórias sobre eles, além de também nos apresentarmos a muitos dos campistas veteranos que encontramos pelo caminho.

Eu estava realmente admirada com tudo aquilo. Lilian deveria sentir o mesmo. Ela adorou a seção de arcos e flechas e o treinamento com os cavalos alados. Já eu, gostei do das lutas com espadas. Foi um dia realmente incrível e inesquecível.

Passamos boa parte do dia seguindo Annabeth e Nico para cima e para baixo. Finalmente terminaram de nos explicar as regras e de passar as últimas informações sobre as atividades diárias e semanais dos campistas. Estávamos muito ansiosas por tudo aquilo.

-- Bem – Annabeth disse, por final – Entenderam tudo?

-- Sim, sim – dissemos em uníssono. Depois acrescentei – Isso tudo é incrível!

-- É, sim! – Lilian concordou.

Annabeth e Nico sorriram para nós.

-- Ótimo! – ela disse, gentil – Então acho que já podemos parar por aqui. Querem que acompanhemos vocês até junto do pessoal do chalé 11? Eles devem estar no treinamento de voo com pégasos agora.

-- Ah, sim! – fiquei super animada.

Eles riram.

-- Ah, então vamos lá!

...........................................

Enquanto nos dirigíamos para os estábulos, fiquei admirando a floreta, que se erguia muito alta ao nosso lado.

-- Hey, Annabeth...

-- Sim?

-- Aquele jogo da bandeira que vocês mencionaram... É nessa floresta que vocês o praticam? – perguntei, apontando as árvores.

-- É sim – ela respondeu, olhando.

-- Tem muitos animais lá? – Lilian perguntou.

-- Tem sim. Mas a maioria são monstros de diversos tipos e ninfas.

-- M-Monstros? – gaguejei – monstros como... aquela quimera?

-- Vocês lutaram com uma quimera? – perguntou Nico.

Assentimos, tentando esquecer do ocorrido. Annabeth pesnou um pouco.

-- Hum... Também. Tem de vários tipos.

Ficamos quietas, Lilian e eu.

-- Argh! – disse Lilian – só de pensar que existem monstros tão perto assim de nós, já fico tipo...

-- Que legal! – cortei os pensamentos de Lilian. Ela olhou para mim, a testa franzida.

-- Legal?

-- Ah, é. Tipo, aqui nós teremos a preparação necessária para enfrentarmos aquelas coisas. Além do mais, estamos cercadas de campistas já experientes aqui.

-- Isso é verdade – disse Annabeth – Não têm com que se preocupar.

Fiquei encarando Lilian por um tempo. Mas achei a situação engraçada e comecei a rir. Logos, estávamos todos rindo.

-- Hey – disse Nico, parando um pouco de rir – vocês vão participar da captura da bandeira na sexta?

-- Não – disse Lilian.

-- Sim – disse eu, ao mesmo tempo. Depois retruquei – Ah, qual é, Li! Vamos lá! Vai ser divertido!

-- Ah... eu não sei...

-- Não vai querer dar uma de medrosa, vai?

Olhei para Lilian, encarando-a e fazendo uma expressão brincalhona. Ela olhou para Annabeth, em seguida para Nico e depois para mim novamente.

-- Ah! –ela exclamou, por fim – Por mim, Beleza!

-- Isso! – comemorei.

-- Vocês vão gostar – disse Nico.

-- Vão sim. – completou Annabeth – é bem divertido.

Continuamos andando enquanto conversávamos. Olhando mais à frente, um grande estábulo se estendia. Reconheci o pessoal do chalé 11 que me cumprimentara na noite anterior. Eles estavam no meio de um bando de lindos cavalos brancos com asas que pareciam mais nuvens. A única quebra de cor contrastante naquele mar de branco que ocorria era um pégaso negro como a noite, que relinchava loucamente para um dos campistas ali. Eu ri.

-- Haha, parece que aquele quer brincar!

-- Eles está pedindo por torrões de açúcar – Disse Lilian, simplesmente.

-- Como sabe? – perguntei.

-- É o que ele está dizendo. Não estão ouvindo? Além disso... não sabia que pégasos falavam, mas... Acho que tudo é possível, afinal.

-- E não falam... – disse Annabeth, franzindo o cenho – só se... – ela se interrompeu. Parecia pensar seriamente em algo. Nico manteve sua expressão fechada também.

-- Se...? – insisti. Ela pareceu despertar de um transe.

-- Não, nada. Esqueçam. Haha, apenas vão agora. Travis e Connor lhes explicarão sobre a montaria dos pégasos. Eu... tenho que ir à casa grande. Nico?

-- Vou também. – ele disse.

-- Ok, até mais, então! – me despedi.

-- Obrigada! – disse Lilian.

Annabeth sorriu, meio tímida e já estava se virando quando me lembrei de algo.

-- Hey, Annabeth! – ela se virou para mim. – Será que teria como eu ligar para o meu pai mais tarde? Não tive tempo de me despedir dele antes de vir para cá...

-- Ah, mas é claro. Mas pode ser mais tarde?

-- Pode, sim. – disse eu. Ela assentiu e se virou, indo embora junto com Nico. Achei estranha a reação deles. E também achei estranho Lilian dizer que pégasos falavam, mas... Bem, minha vida realmente não é normal. Isso não seria realmente impossível, não é?

Falamos com Travis e Connor e, depois de muitos blá, blá, blás, montamos em dois dos pégasos menores. Algumas instruções básicas e treinamentos no solo mesmo, antes de alçarmos voo.

Tirando o medo e o som de nossos gritos misturados à risadas, a sensação de voar foi incrível.
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Re: The Horse and the owl

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